Abstract:
O estudo dos públicos da cultura tem constituído um dos aspetos centrais da abordagem cultural no
nosso país, pressupondo uma reflexão sobre a heterogeneidade do público em geral – em termos da
sua composição social, dos seus níveis de interesse, das suas competências e dos seus interesses –
implicando pensar tudo isto num quadro de mudança das práticas e das representações a que
assistimos nos dias de hoje.
O trabalho de investigação aqui enunciado, levado a cabo no âmbito da temática a “Cultura e a
Diversidade de Públicos – Panóias um estudo de caso”, só foi possível num espaço culturalmente
enriquecido por um legado histórico de extremo valor, como o Santuário de Panóias, localizado em
Vila Real que durante alguns anos recolheu informação sobre o perfil dos visitantes, as suas
motivações e satisfação. Este estudo concretizou-se no âmbito do Mestrado em Ciências da Educação
da Universidade Portucalense Infante D. Henrique em parceria com a Direção Regional de Cultura do
Norte.
Este trabalho teve como principais objetivos caraterizar o Público que visitou o Monumento entre
1996 e 1999 e entre 2006 e 2011 e ouvir as suas opiniões e propostas de melhoria. Para concretização
destes objetivos foram construídos três instrumentos de investigação. Inquérito por questionário em
uso no Centro de Interpretação e aplicado a todos o visitantes no fim da visita ao Monumento;
Inquérito por entrevista; Grelha de observação, utilizada para observar no “terreno” aspetos
relevantes. A investigação desenvolveu-se entre a análise quantitativa e qualitativa e o cruzamento de
dados mostrou-se fundamental em todo este processo.
Tendo em conta o objetivo da Investigação, concluímos que o público que maioritariamente visitou o
Santuário de Panóias, no período analisado, foi o que Lopes (2004: 45) designou nos seus trabalhos
como público habitual. Assim, analogamente ao que Lopes (2004: 46) referencia nos seus estudos, o
Público do Santuário de Panóias caraterizou-se por possuir habilitações académicas elevadas,
profissões qualificadas e ser detentor de um forte Capital Cultural já intrínseco e enraizado.
Ficou patente que quanto mais elevado for o nível de formação académica e estatuto
socioprofissional, mais regulares são os consumos culturais.